quinta-feira, 30 de agosto de 2012

26ª Semana de Estudos Científicos do GR Barueri

Recentemente colaboramos com a XXVI Semana de Estudos Científicos do Grêmio Recreativo Barueri (GRB) através de curso na área de treinamento esportivo. Previamente já participávamos em parceria com o Departamento de Alta Performance (DTAP) em convite do Prof. MSc. Luciano Mateus e do Prof. MSC. César Cavinato Cal Abad.



O tema central foi direcionado ao módulo de tópicos avançados através da palestra intitulada: "Periodização para modalidades esportivas coletivas: planejamento, controle e monitoramento do treinamento". Ela versou sobre as concepções de planejamento do treinamento (clássica de Matveev x contemporânea de Verkhoshansky), enfatizando os modelos elaborados em blocos aplicados em modalidades coletivas de quadra (basquetebol, futebol de salão, handebol e voleibol) e as diversas formas de controle de cargas (externa e interna) e monitoramento de treino.
 
 
ULTRAFIT Consultoria Esportiva
Fazendo de sua saúde um esporte !
 
 


 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Menos tempo, mais resultado ?

Muitas dúvidas são geradas dentro de um programa de exercícios físicos, entre elas surgem algumas que acabam por se transformar em mitos. Realizar exercícios de baixa a moderada intensidade (<75% do VO2max) otimiza a oxidação de gorduras, ou seja, "queimo" mais calorias? Ou realizar exercícios mais vigorosos com intensidades mais elevadas (>75% do VO2max) e de duração mais curta, posso aumentar o gasto calórico e o condicionamento físico?
 
A seguir um quadro bastante esclarecedor a cerca dessas dúvidas rotineiras:

 
ULTRAFIT Consultoria Esportiva
Fazendo de sua saúde um esporte !
 
 

Teste Escalonado Máximo: o que é isso ?

A avaliação do desempenho máximo torna-se importante através do conhecimento de medidas fisiológicas e mecânicas relacionadas a tarefa executada (corrida, ciclismo, remo, p.ex.). O teste de esforço progressivo máximo (TEPM) ou teste de esforço graduado (TEG), são muito utilizados em laboratórios de avaliação da performance, sobretudo em atletas. Em atividades onde o fornecimento de energia é prioritariamente realizado pelo metabolismo oxidativo (aeróbio), a identificação do consumo máximo de oxigênio (VO2máx), da intensidade associada ao VO2max (IVO2max), os limiares de lactato sanguíneo (LiLac), o limiar anaeróbio (LAn) e suas respectivas intensidades, são variáveis preditoras do desempenho de longa duração.
 
A literatura apresenta diversos protocolos para realização de TEPM, entre eles, estão os protocolos em rampa (V-slope) e os protocolos escalonados. Nos primeiros não há pausas para aumentos da intensidade da tarefa (velocidade e ou inclinação da esteira p.ex.); já nos escalonados existem uma pausa a cada novo incremento da intensidade (para coleta de amostra sanguínea p.ex.). Entre eles podem variar a velocidade inicial, o tipo de incremento e a duração dos estágios.
 
Muito conhecido e utilizado, o protocolo de Heck et al. (1985) onde a velocidade inicial pode variar de 8,0 a 12,0 km/h com incrementos de 1,2km/h a cada estágio de 3 minutos de duração, dependendo do nível de condicionamento do sujeito avaliado. Este protocolo é indicado para identificação dos limiares de lactato de concentração fixa (2,0 e 3,5 mM/L) que podem indicar pontos de transição metabólica, ou seja, limiar aeróbio (AeT) e limiar anaeróbio (AnT) importantes na prescrição das cargas de treinamento e recuperação dos esforços.
 
 
ULTRAFIT Consultoria Esportiva
Fazendo de sua saúde um esporte!
 
 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Recursos ergogênicos e suplementação nutricional: desvendando alguns mitos e evitando confusões

SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS

De acordo com o Ministério da Saúde (portaria nº 32, publicada no D.O. de 1998), suplementos são somente vitaminas e ou minerais isolados ou combinados entre si, desde que não ultrapassem 100% da IDR (ingestão diária recomendada), sendo os valores acima dessa dosagem classificados como medicamentos. Os suplementos vitamínicos e ou minerais, são definidos como alimentos que servem para complementar a dieta diária de uma pessoa saudável, ou quando a alimentação seja insuficiente ou quando ela requer suplementação.


Produtos como albumina, aminoácidos, hipercalóricos, bebidas isotônicas e produtos à base de carboidratos como a maltodextrina, são considerados, de acordo com a portaria nº 222 publicada no D.O. de 1998, alimentos para praticantes de atividade física, uma categoria de produtos com finalidade específica. Pelas normas brasileiras estes produtos são divididos em 5 (cinco) categorias a seguir:

1) Repositores hidroeletrolíticos: são produtos de concentrações variadas de carboidratos e eletrólitos (cloreto e sódio), que podem ter a adição de vitaminas e ou minerais, com o objetivo de repor o líquido e sais minerais perdidos através da transpiração durante a prática de exercícios. São exemplos o Gatorade, Powerade e outros.

2) Repositores energéticos: são produtos que apresentam no mínimo 90% de carboidratos em sua composição, podendo ser acrescidos de vitaminas e minerais, cuja finalidade é de manter os níveis adequados de energia aos praticantes e ou atletas. São vendidos em barras, pó solúvel ou mesmo em gel em sachês.

3) Alimentos protéicos: são produtos com predominância de proteínas (superior a 50% do valor calórico), sendo que existe a obrigatoriedade de que, pelo menos 65% da proteína seja de alto valor biológico, ou seja, proteína completa (origem animal). Estes produtos podem conter carboidratos e gordura, desde que o somatório energético de ambos não ultrapasse a de proteínas. Alguns exemplos são o Whey Protein e o Iso Whey Protein.
 
4) Alimentos compensadores: são produtos que devem conter concentração variada de macronutrientes (proteínas, carboidratos e gorduras), visando à adequação destes nutrientes na dieta de praticantes de exercício físico.
 
5) Aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA): são produtos formulados a partir de concentrações variadas de aminoácidos de cadeia ramificada (valina, leucina e isoleucina) isolados ou combinados que devem constituir 70% dos nutrientes energéticos da formulação. Têm como objetivo de fornecimento energético e ou remodelação tecidual, sobretudo o muscular, em indivíduos que se exercitam. Podemos citar neste grupo o BCAA 1500, BCAA 2000 e o BCAA.


RECURSOS ERGOGÊNICOS
 
Tratam-se de substâncias lícitas utilizadas com a finalidade de aumento do desempenho (performance). A palavra tem origem grega, ou seja, ERGON que significa trabalho, e GENNAN com sinônimo de produzir. Também são classificados em 5 diferentes categorias, a seguir:
 
1) Nutricional;
2) Farmacológica;
3) Fisiológica;
4) Psicológica;
5) Biomecânica.
 
 
 
São exemplos de regursos ergogênicos lícitos: a creatina, o HMB (beta- hidroximetilbutirato), a glutamina, o CLA (ácido linoléico conjugado), a L-carnitina e a cafeína.
 
Mas cuidado, pois não existe a fórmula perfeita e muito menos mágica ou milagrosa, existe sim a recomendação de uma equilibrada combinação entre alimentação, exercício físico e descanso. E ela pode e deve ser orientada por pessoas habilitados e legalmente registrados em seus conselhos profissionais, ou seja, professores de Educação Física responsável pela elaboração, planejamento, execução e controle de programas de exercícios físicos e o Nutricionista responsável pela intervenção, manipulação, elaboração e acompanhamento das dietas alimentares.
 
Bom treino, ótima alimentação e merecido descanso a todos (as) !
 
ULTRAFIT Consultoria Esportiva
Fazendo de sua saúde um esporte !
 
 
 
 
 
 



 

domingo, 11 de dezembro de 2011

Estratégia de corrida relacionada com variáveis de desempenho

           Na corrida de 5.000m, muitos são os fatores que interferem no desempenho dos atletas. Condições ambientais são variáveis de extrema importância e que podem limitar a realização de testes de campo em avaliações específicas com corredores, justificando que a maior parte dos estudos com esta população de atletas foi realizada em laboratório. Ergômetros como a esteira reproduzem as velocidades de corrida e permitem que os testes em laboratório se aproximem da especificidade de movimento do atleta, no entanto, existe ainda uma crescente necessidade pela busca de uma avaliação mais próxima da realidade da modalidade.

         A corrida de 5.000m é uma prova do atletismo em que a aptidão aeróbia é determinante do desempenho e, por isso, durante muito tempo, o consumo máximo de oxigênio (VO2máx) foi utilizado como variável padrão na avaliação de corredores. No entanto, diversos estudos têm demonstrado que, em atletas de alto nível de desempenho esportivo em modalidades de endurance, o VO2máx praticamente não sofre alterações no decorrer da temporada de treinamento (HASKVITZ, SEIP, WELTMAN, ROGOL & WELTMAN, 1992; OLIVEIRA, 2004). BILLAT (1996) com o objetivo de identificar a capacidade discriminadora e as mudanças nos diversos indicadores fisiológicos em períodos de treinamento e competição verificou que não ocorreram modificações nas variáveis máximas de forma a caracterizar progressos no estado de treinamento dos atletas. Portanto, a necessidade de utilização de outras variáveis indicadoras da condição física e do desempenho tornou-se crescente.
          Embora seja uma variável confiável para predição, em geral o VO2máx deve estar associado a outros marcadores de desempenho esportivo, como as seguintes variáveis submáximas: limiar anaeróbio (LAn), limiares de lactato (LL) e economia de corrida (EC) (SVEDAHL & MACINTOSH, 2003; DENADAI, ORTIZ & MELLO, 2004; FAUDE, KINDERMANN & MEYER, 2009; MCLAUGHLIN, HOWLEY, BASSET, THOMPSON & FITZHUGH, 2010). Neste sentido, têm-se estudado outras variáveis discriminadoras dos efeitos do treinamento aeróbio. Na corrida de 5.000m, alguns marcadores fisiológicos preditores de desempenho incluem a intensidade relativa à velocidade correspondente ao VO2máx (vVO2máx), o tempo de exaustão na vVO2máx (Tlim) e o LAn (SOUZA, VIEIRA, BALDI, GUGLIELMO, LUCAS & DENADAI, 2011).  
          DENADAI e GRECO (2005) identificaram que o exercício é realizado entre 85% e 95% do VO2máx entre atletas de elite nas provas de 5.000m. Para esta distância, embora os sujeitos possuam valores bem elevados de VO2máx, os níveis de correlação com este índice fisiológico são moderados (r = 0,60-0,70), sendo mais altos para a intensidade de exercício associada ao consumo máximo de oxigênio (IVO2máx) e o desempenho de 5.000m apresentando forte correlação (r = 0,80-0,90). Para essa distância, a capacidade aeróbia começa a ter um papel decisivo, apresentando elevadas correlações com o desempenho    (r > 0,90). Assim, para essa prova do atletismo deve-se buscar não só a melhora da IVO2máx, mas também a melhora dos índices associados à resposta de lactato ao exercício.




 A partir de alguns estudos, as velocidades correspondentes às concentrações de lactato sanguíneo tornaram-se comuns e muito usadas em avaliação, prescrição e verificação dos efeitos do treinamento aeróbio (HECK, MADER, HESS, MUCKE, MULLER & HOLLMANN, 1985; TANAKA, NAKAGAWA, HAZAMA, MATSURA, ASANO & ISEKI, 1985; JACOBS, 1986; FLEISCHMANN, 1993; OLIVEIRA, GAGLIARD & KISS, 1994; POMPEU, FLEGNER, SANTOS & GOMES, 1997; BISHOP, JENKINS, MCENIERY & CAREY, 2000; MARCELL, HAWKINS, TARPENNING, HYSLOP & WISWELL, 2003; PIRES, KISS & OLIVEIRA, 2006).
          Sabe-se que, a corrida de 5.000m possui duração superior a doze minutos, então a transferência de energia durante essa tarefa é realizada prioritariamente pelo sistema oxidativo (GASTIN, 2001). Além disso, acredita-se que, independente do nível de aptidão física dos indivíduos, a frequência cardíaca (FC) é a principal responsável pela elevação do débito cardíaco nas intensidades entre 60% e 70% do VO2máx (TANAKA, YOSHIMURA, SUMIDA, MITSUZONO, TANAKA & KINISH, 1986). Os resultados de alguns estudos apontaram para a possibilidade de utilização do monitoramento da FC para representar a demanda fisiológica em tarefas predominantemente aeróbias (ACHTEN & JEUKENDRUP, 2003).
          A observação de mudanças no padrão de velocidade durante a competição levou a um interesse na estratégia de ritmo (pacing) durante as competições atléticas e tornou-se uma importante ferramenta para a avaliação do desempenho de corredores (FOSTER, SCHRAGER, SNYDER & THOMPSON, 1994; TUCKER, 2009). TUCKER, LAMBERT e NOAKES (2006) analisaram as estratégias de corrida empregadas durante a quebra dos trinta e dois recordes mundiais no período entre 1922 e 2004, incluindo a corrida de 5.000m. Neste estudo os autores especularam que a ocorrência da arrancada final ou end spurt seria devido à manutenção de uma reserva armazenada durante a parte intermediária da corrida, e a estratégia de ritmo utilizada é regulada por um complexo sistema que equilibra a demanda fisiológica para um ótimo desempenho com a necessidade de manter a homeostase durante o exercício.
          A percepção subjetiva de esforço (PSE) apresentada por BORG (1982) também tem sido amplamente empregada no controle e na determinação indireta das intensidades de realização de tarefas cíclicas contínuas com predominância do metabolismo aeróbio (GARCIN, MILLE-HAMARD & BILLAT, 2004; SEILER & SJURSEN, 2004). A utilização da escala de esforço percebido (EP) está baseada na premissa de que os ajustes fisiológicos promovidos pelo estresse físico produzem sinais sensoriais aferentes que são capazes de alterar a percepção subjetiva de esforço. Evidências recentes têm sugerido que os ajustes de potência muscular e EP sofrem influência de um modelo de programação denominado teleantecipação (ALBERTUS, TUCKER, GIBSON, LAMBERT, HAMPSON & NOAKES, 2005).
          De acordo com LAMBERT, GIBSON e NOAKES (2005), a teleantecipação é resultante de complexas interações entre as respostas metabólicas, cognitivas e contextuais passadas e atuais, que determinam o ritmo a ser empregado em determinada tarefa, com o objetivo de evitar precocemente o desencadeamento dos processos fisiológicos responsáveis pela fadiga. Logo é provável que o desempenho de corredores não dependa apenas do potencial metabólico, mas, sobretudo da elaboração da estratégia de corrida adotada, visando a maior eficácia (JONES & WHIPP, 2002).
          Recentemente, os resultados do estudo de KONING, FOSTER, BAKKUM, KLOPPENBURG, THIEL, JOSEPH, COHEN e PORCARI (2011), demonstraram a probabilidade da mudança nas velocidades de corrida analisadas em uma simulação competitiva, que parecem estar relacionadas a um índice denominado índice de risco (Hazard Score). Este modelo integra a PSE e o percentual da distância envolvida no evento. Isso sugere que a estratégia de ritmo (pacing) adotada pelos atletas regula o esforço durante a competição, existindo a possibilidade de estudos que correlacionem distúrbios homeostáticos com a PSE, isso poderia explicar como os atletas mudam o ritmo durante o curso temporal da corrida.
          ACEVEDO, KRAEMER, HALTOM e TRYNIECK (2003) revelaram em seu estudo uma tendência a existir uma forte associação entre a PSE com variáveis fisiológicas relacionadas aos limiares metabólicos, como a FC e as concentrações de lactato sanguíneo ([La]). A PSE já foi apresentada como uma opção alternativa para identificação de limiares de transição metabólica (HEZTLER, SEIP, BOUTCHER, PIERCE, SNEAD & WELTMAN, 1991; SEIP, SNEAD, PIERCE, STEIN & WELTMAN, 1991; HASKVITZ, SEIP, WELTMAN, ROGOL & WELTMAN, 1992), sendo utilizados testes em laboratório para este fim. A combinação entre FC e PSE foi demonstrada como ferramenta útil para determinar as cargas de esforço aplicadas em treinamento de corredores (THOMPSON & WEST, 1998), assim como a combinação entre as [La] e PSE (HETZLER, SEIP, BOUTCHER, PIERCE, SNEAD & WELTMAN, 1991; STEED, GAESSER & WELTMAN, 1994).
          NAKAMURA, MOREIRA e AOKI (2010) revisaram a utilização da PSE e atentaram para o fato de que na situação real da prática esportiva, os atletas fazem auto seleção do ritmo empregado e estão constantemente expostos a diferentes tipos de respostas internas e externas, permanecendo uma lacuna, pela necessidade de avaliação destas relações em testes de campo. Apesar do conhecimento de que a identificação dos limiares é protocolo-dependente (HECK, MADER, HESS, MUKE, MULLER & HOLLMANN, 1985), as relações entre as [La] com variáveis como FC e PSE parecem ser consistentes, independentemente do local das avaliações.


          Dessa forma, como outros métodos anteriormente estudados, espera-se que os valores de parâmetros fisiológicos (FC e LL), perceptivos (PSE) e mecânicos (velocidades de corrida) medidos em testes de desempenho para atletas, tenham relação com a análise da estratégia de ritmo (pacing), apresentando-se como método válido para avaliação de corredores.




segunda-feira, 26 de setembro de 2011

MARATONA, QUAL O LIMITE ?

O queniano  Patrick Makau estabeleceu um novo recorde mundial de maratona ao terminar a competição com um tempo de 2 horas, 3 minutos e 38 segundos, o que permitiu, além disso, que se proclamasse vencedor neste domingo da 38º edição da Maratona Anual de Berlim.

Makau, de 26 anos, melhorou em 21 segundos o recorde anterior (2h03:59), que pertencia ao etíope Haile Gebreselassie desde sua vitória na mesma maratona em 2008.



Qual será o limite do homem na modalidade de corrida mais conhecida do planeta? Particularmente acredito que veremos em breve algum atleta do leste africano correr abaixo de 2 horas, e não falo de décadas, estou falando de alguns anos.

Com a incrível economia de corrida que possuem, ótimo comprimento dos membros inferiores, sobretudo do tendão calcâneo e o imenso potencial metabólico de suas fibras musculares do tipo I e IIA, aliado ao grande avanço de seus treinamentos.


Em breve voltaremos a conversar caso se confirme tal feito atlético.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Test of the classic model for predicting endurance running performance.

Med Sci Sports Exerc. 2010 May;42(5):991-7.

Test of the classic model for predicting endurance running performance.

McLaughlin JE, Howley ET, Bassett DR Jr, Thompson DL, Fitzhugh EC.

Abstract

PURPOSE: To compare the classic physiological variables linked to endurance performance (VO2max, %VO2max at lactate threshold (LT), and running economy (RE) with peak treadmill velocity (PTV) as predictors of performance in a 16-km time trial.

METHODS: Seventeen healthy, well-trained distance runners (10 males and 7 females) underwent laboratory testing to determine maximal oxygen uptake (VO2max), RE, percentage of maximal oxygen uptake at the LT (%VO2max at LT), running velocity at LT, and PTV. Velocity at VO2max (vVO2max) was calculated from RE and VO2max. Three stepwise regression models were used to determine the best predictors (classic vs treadmill performance protocols) for the 16-km running time trial.

RESULTS: Simple Pearson correlations of the variables with 16-km performance showed vVO2max to have the highest correlation (r = -0.972) and %VO2max at the LT the lowest (r = 0.136). The correlation coefficients for LT, VO2max, and PTV were very similar in magnitude (r = -0.903 to r = -0.892). When VO2max, %VO2max at LT, RE, and PTV were entered into SPSS stepwise analysis, VO2max explained 81.3% of the total variance, and RE accounted for an additional 10.7%. vVO2max was shown to be the best predictor of the 16-km performance, accounting for 94.4% of the total variance. The measured velocity at VO2max (PTV) was highly correlated with the estimated velocity at vVO2max (r = 0.8867).

CONCLUSIONS: Among well-trained subjects heterogeneous in VO2max and running performance, vVO2max is the best predictor of running performance because it integrates both maximal aerobic power and the economy of running. The PTV is linked to the same physiological variables that determine vVO2max.


OBJETIVO: Comparar as variáveis ​​fisiológicas clássicas ligadas ao desempenho de resistência (VO2max, %VO2max no limiar de lactato (LL), economia de corrida (EC) e com o pico de velocidade da esteira (PVE) como preditores de desempenho em um simulado de 16 km.

MÉTODOS: Dezessete  corredores bem treinados (10 homens e 7 mulheres) foram submetidos a testes de laboratório para determinar o consumo máximo de oxigênio (VO2max), EC, o percentual de consumo máximo de oxigênio no limiar de lactato  (% VO2max no LL), velocidade de corrida no LL , e PVE. Velocidade no VO2max (vVO2max) foi calculad a partir de EC e VO2max. Três modelos de regressão foram usados ​​para determinar os melhores preditores (clássico vs protocolos desempenho em esteira) para o simulado de 16 km em execução.

RESULTADOS: correlações de Pearson entre as variáveis ​​de desempenho de 16 km mostrou vVO2max ter a maior correlação (r = -0,972) e VO2max% no LL o mais baixo (r = 0,136). Os coeficientes de correlação para a LL, VO2max e PVE foram muito semelhantes em magnitude             (r = -0,903 para r = -0,892). Quando VO2max, VO2max% no LL, EC, e PVE foram analisados em SPSS por análise stepwise, o VO2max explicou 81,3% da variância total, e a EC representou um 10,7% adicionais. A vVO2max mostrou ser o melhor preditor do desempenho de 16 km, representando 94,4% da variância total. A velocidade medida no VO2max (PVE) foi altamente correlacionada com a velocidade estimada em vVO2max (r = 0,8867).

CONCLUSÕES: Entre corredores bem treinados de uma amostra heterogênea em relação ao  VO2max e desempenho em corrida, a vVO2max é o melhor preditor de desempenho pois integra tanto potência aeróbia máxima e a economia de corrida. A PVE é ligada às mesmas variáveis ​​fisiológicas que determinam a vVO2max.

Med Sci Sports Exerc. 2011 Jan;43(1):190; author reply 191.

PMID:19997010[PubMed - indexed for MEDLINE]

domingo, 26 de junho de 2011

Terapia gênica, doping genético e esporte: fundamentação e implicações para o futuro

Revista Brasileira de Medicina do Esporte - Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.13 no.5 Niterói Sept./Oct. 2007

doi: 10.1590/S1517-86922007000500013

ARTIGO DE REVISÃO

Terapia gênica, doping genético e esporte: fundamentação e implicações para o futuro


Guilherme Giannini Artioli (I); Rosário Dominguez Crespo Hirata (II); Antonio Herbert Lancha Junior(I)

(I) Laboratório de Nutrição e Metabolismo Aplicados à Atividade Motora, Departamento de Biodinâmica do Movimento Humano, Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo, São Paulo (SP), Brasil

(II) Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo, São Paulo (SP), Brasil

RESUMO
A busca pelo desempenho ótimo tem sido uma constante no esporte de alto rendimento. Para tanto, muitos atletas acabam utilizando drogas e métodos ilícitos, os quais podem ter importantes efeitos adversos. A terapia gênica é uma modalidade terapêutica bastante recente na medicina, cujos resultados têm, até o momento, indicado sua eficácia no tratamento de diversas doenças graves. O princípio da terapia gênica consiste na transferência vetorial de materiais genéticos para células-alvo, com o objetivo de suprir os produtos de um gene estruturalmente anormal no genoma do paciente. Recentemente, o potencial para uso indevido da terapia gênica entre atletas tem despertado a atenção de cientistas e de órgãos reguladores de esporte. A transferência de genes que poderiam melhorar o desempenho esportivo por atletas saudáveis, método proibido em 2003, foi denominado de doping genético. Os genes candidatos mais importantes para doping genético são os que codificam para GH, IGF-1, bloqueadores da miostatina, VEGF, endorfinas e encefalinas, eritropoetina, leptina e PPAR-d. Uma vez inserido no genoma do atleta, o gene se expressaria gerando um produto endógeno capaz de melhorar o desempenho atlético. Assim, os métodos atuais de detecção de doping não são sensíveis a esse tipo de manipulação, o que poderia estimular seu uso indevido entre atletas. Além disso, a terapia gênica ainda apresenta problemas conhecidos de aplicação, como resposta inflamatória e falta de controle da ativação do gene. Em pessoas saudáveis, é provável que tais problemas sejam ainda mais importantes, já que haveria excesso do produto do gene transferido. Há também outros riscos ainda não conhecidos, específicos para cada tipo de gene. Em vista disso, debates sobre o doping genético devem ser iniciados no meio acadêmico e esportivo, para que sejam estudadas medidas de prevenção, controle e detecção do doping genético, evitando assim futuros problemas de uso indevido dessa promissora modalidade terapêutica.

Palavras-chave: Terapia gênica. Doping genético. Esporte.
--------------------------------------------------------------------------------



sábado, 25 de junho de 2011

O excesso de gostosura virou gordura (matéria da Revista Época - 12/03/2011)

Um novo índice criado para medir a obesidade pode substituir o tradicional IMC. Com ele, as mulheres de quadris largos estão na faixa de risco.


Homens e mulheres raramente entram em acordo quando o assunto é beleza feminina. Elas querem ser magras como Gisele Bündchen. Eles gostam de curvas, principalmente naquele trecho da anatomia que liga o tronco às pernas. Os homens, em especial os brasileiros, apreciam quadris benfeitos e volumosos, como os da morena Juliana Paes (99 centímetros antes da gravidez) ou os da loira Ellen Roche (98 centímetros). Mesmo opulências de 119 centímetros – como os da funkeira Andressa Soares, a Mulher Melancia – têm público fiel. Num país obcecado por bumbuns, é sempre melhor.
 


A medicina, porém, parece ter outra opinião sobre esse assunto. Ela quer tornar o tamanho dos quadris uma questão de saúde, mais que de beleza. Segundo uma nova definição de obesidade, proposta por um grupo de pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, as mulheres de cadeiras avantajadas passariam da categoria de moças com “excesso de gostosura” e entrariam no grupo das gordas, que podem vir a ter problemas de saúde relacionados à obesidade.


O novo método para medir a quantidade de gordura no corpo foi proposto pela equipe do fisiologista Richard Bergman e publicado na edição de março da revista científica Obesity, uma das mais importantes em seu ramo da medicina. Bergman sugere usar a estatura e a medida dos quadris para apontar quem está acima ou abaixo do peso ideal (leia o quadro abaixo). De acordo com seu Índice de Adiposidade Corporal (IAC), quanto maior a circunferência dos quadris, maior a chance de o indivíduo estar acima do peso. Ele propõe o IAC como substituto do conhecido Índice de Massa Corporal (IMC), que mede a obesidade com base no peso e na altura – e vem sendo usado há quase 200 anos.

 O IAC será capaz de mudar nosso conceito sobre a beleza das celebridades, aposentar o IMC ou afetar a forma como encaramos nossa própria saúde? Isso depende de a comunidade médica aderir ou não a ele. O novo índice tem vantagens e desvantagens em relação ao anterior – e, assim como qualquer novidade, tem aspectos controversos. “O IAC precisa provar que é melhor do que os outros índices que estão sendo usados”, diz Raul Dias dos Santos, cardiologista do Instituto do Coração de São Paulo (Incor). “Ele tem de demonstrar que funciona também em outras populações.” O estudo de Bergman foi feito apenas com afro-americanos e cidadãos de origem mexicana.


Desde já, porém, o IAC é considerado um avanço importante na definição de novos indicadores de obesidade. O parâmetro usado hoje em dia, o IMC, foi inventado em 1832 pelo cientista belga Adolphe Quetelet, professor de matemática e astronomia. Ele era um apaixonado por estatísticas. Ao longo da vida, procurou fórmulas para explicar padrões em tudo, até no comportamento humano. Num dado momento, usou sua habilidade com os números para tentar responder a uma pergunta que o perturbava desde a juventude: qual era o peso ideal de uma pessoa? Quando jovem, ele fora um atento observador da anatomia humana, pois queria reproduzir o corpo com perfeição em suas pinturas e esculturas.

O índice proposto por Quetelet foi reavaliado em 1972 pelo cientista americano Ancel Keys, que o apontou como o mais simples e eficaz para medir a gordura corporal. Depois disso se popularizou e converteu-se na fórmula oficial para determinar quem entra e quem sai do regime. Um de seus apelos é a facilidade do diagnóstico: basta dividir o peso pelo quadrado da altura e localizar o resultado numa escala (leia o quadro abaixo).

Essa mesma simplicidade, porém, torna os resultados do IMC imprecisos. Não há na fórmula nenhuma medida que dê pistas sobre a quantidade e a localização da gordura no corpo. Por isso, o IMC não faz distinção entre músculos e gordura. Uma pessoa forte e, por isso, pesada pode ser considerada obesa. Quem observa o corpo do lutador de vale-tudo Vitor Belfort, de 33 anos, não acha que está diante de um gordinho. Mas é isso o que diz o IMC dele: 28 indica sobrepeso. “O IMC é uma medida grosseira. Não o usamos para nada”, diz Belfort. Ele afirma que nunca precisou se preocupar com excesso de peso. “Antes de começar a treinar eu era magro”, diz. Hoje, come de tudo (inclusive panqueca, bacon e hambúrguer). Diz que bebe 7 litros de água por dia e queima a energia extra na rotina de treinos e lutas.


O IAC é um parâmetro mais acurado. Atualmente, os médicos se baseiam no IMC para determinar quais obesos podem ser submetidos à cirurgia de redução de estômago. Nos Estados Unidos, pessoas com IMC acima de 30 podem ser operadas. No Brasil, o limite é IMC a partir de 35. Mas o índice não captura a realidade de algumas pessoas. Apesar de ter grande quantidade de gordura corporal, esses pacientes não podem ser operados porque a equação entre altura e peso não “enxerga” sua obesidade – e faz com que fiquem fora dos limites recomendados pelos médicos para cirurgia. “Isso ajuda a explicar por que alguns pacientes com IMC normal apresentam anormalidades associadas à obesidade, como hipertensão ou triglicéride elevado”, diz o endocrinologista Walmir Coutinho, presidente eleito da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade.

O novo índice parece mais preciso porque, ao usar a circunferência do quadril, leva em conta a propensão para acumular gordura. “É uma medida indireta para inferirmos a quantidade total de gordura no corpo”, diz Bergman, criador do IAC. O pesquisador percebeu que os quadris eram o melhor lugar para medir a gordura geral do corpo ao submeter mais de 2 mil voluntários a exames de avaliação da composição corporal – uma técnica que usa feixes de raios X para medir a porcentagem de ossos, músculos e gordura.


A localização da gordura é uma informação importante para prever o surgimento de doenças cardiovasculares. Algumas pessoas têm maior tendência para acumular gordura na barriga (o chamado corpo “maçã”). Outras, nos quadris (o chamado corpo “pera”). Em cada uma dessas regiões, as células de gordura se comportam de maneira diferente, o que aumenta ou diminui os riscos do aparecimento de doenças cardiovasculares. Os pesquisadores ainda não sabem explicar por que a localização da gordura determina seus efeitos sobre o organismo. Um estudo publicado na revista Nature Genetics no ano passado demonstrou que 14 regiões do genoma ajudam a determinar o padrão de acúmulo de gordura no corpo. E esses mesmos pedaços de DNA também estão ligados à regulação do colesterol e de outros tipos de gordura no sangue.

Um dos tipos mais perigosos de gordura é a visceral, que fica depositada entre os órgãos do abdome. As pessoas que têm esse tipo de gordura apresentam a chamada “barriga de cerveja”, embora nem sempre ela seja provocada pelo abuso de bebidas alcoólicas. “Sabemos que não é apenas um depósito de material inerte”, diz Cuno Uiterwaal, pesquisador da Universidade Utrecht, na Holanda. “As células de gordura dessa região são ativas. Liberam substâncias que contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.”

A gordura periférica, aquela que atormenta as mulheres porque se acumula nos culotes, é considerada menos perigosa. Nessa região, as células adiposas teriam menos influência sobre o organismo. Um ponto cientificamente controverso do novo índice é que ele se baseia nessa gordura aparentemente inerte. Bergman, seu criador, disse a ÉPOCA que o objetivo do IAC não é captar o risco cardíaco representado pela gordura visceral. “Minha preocupação foi criar um bom parâmetro para estimar a totalidade da gordura corporal”, afirma. Os danos da obesidade não se limitam a doenças cardiovasculares. E o IAC, por dispensar o peso, pode ajudar a detectar a obesidade em regiões carentes, onde não há balanças. O debate médico está apenas começando. O novo índice pode se mostrar eficiente para detectar excesso de gordura no corpo, mas não para medir o risco de doenças cardiovasculares”, diz Coutinho. “Nada substitui a aferição da pressão, os exames de sangue que medem o colesterol bom e o ruim e o nível de outros tipos de gordura no sangue”, afirma Raul Dias dos Santos, do Incor. O futuro do IAC vai depender, também, de tornar-se tão popular quanto o IMC entre os que lutam contra a balança.






quinta-feira, 23 de junho de 2011

Effect of performance level on pacing strategy during a 10-km running race.

Effect of performance level on pacing strategy during a 10-km running race.

Lima-Silva AE, Bertuzzi RC, Pires FO, Barros RV, Gagliardi JF, Hammond J, Kiss MA, Bishop DJ.

SourceSports Science Research Group, Federal University of Alagoas, Alagoas, Brazil.



Abstract

The aim of this study was to examine the influence of the performance level of athletes on pacing strategy during a simulated 10-km running race, and the relationship between physiological variables and pacing strategy. Twenty-four male runners performed an incremental exercise test on a treadmill, three 6-min bouts of running at 9, 12 and 15 km h(-1), and a self-paced, 10-km running performance trial; at least 48 h separated each test. Based on 10-km running performance, subjects were divided into terziles, with the lower terzile designated the low-performing (LP) and the upper terzile designated the high-performing (HP) group. For the HP group, the velocity peaked at 18.8 +/- 1.4 km h(-1) in the first 400 m and was higher than the average race velocity (P < 0.05). The velocity then decreased gradually until 2,000 m (P < 0.05), remaining constant until 9,600 m, when it increased again (P < 0.05). The LP group ran the first 400 m at a significantly lower velocity than the HP group (15.6 +/- 1.6 km h(-1); P > 0.05) and this initial velocity was not different from LP average racing velocity (14.5 +/- 0.7 km h(-1)). The velocity then decreased non-significantly until 9,600 m (P > 0.05), followed by an increase at the end (P < 0.05). The peak treadmill running velocity (PV), running economy (RE), lactate threshold (LT) and net blood lactate accumulation at 15 km h(-1) were significantly correlated with the start, middle, last and average velocities during the 10-km race. These results demonstrate that high and low performance runners adopt different pacing strategies during a 10-km race. Furthermore, it appears that important determinants of the chosen pacing strategy include PV, LT and RE.


Resumo

O objetivo deste estudo foi examinar a influência do nível de desempenho de atletas na estratégia de corrida (pacing) durante uma prova de 10-km em simulados de corrida, a relação entre variáveis ​​fisiológicas e a estratégia de estimulação. Vinte e quatro atletas do sexo masculino realizaram testes de exercício incremental em uma esteira, com velocidades auto-selecionáveis de 9, 12 e 15 km/h para o desempenho de 10-km, pelo menos 48 h separaram cada teste. Com base no desempenho os indivíduos foram divididos em grupos, com o menor desempenho designado de baixo desempenho (LP) e o superior designado alto desempenho (HP). Para o grupo HP, a velocidade atingiu o pico de 18,8 + / - 1,4 km/h nos primeiros 400 m e foi maior do que a velocidade média (P <0,05). A velocidade, em seguida, diminuiu gradualmente até 2000 m (P <0,05), permanecendo constante até 9.600 m, quando voltou a aumentar (P <0,05). O grupo LP executou os primeiros 400 m com uma velocidade significativamente menor do que o grupo HP (15,6 + / - 1,6 km/h (P> 0,05) e esta velocidade inicial não foi diferente da velocidade média (14,5 + / - 0,7 km/h). A velocidade diminuiu em seguida  de forma significativa até 9600 m (P> 0,05), seguido por um aumento no final (P <0,05). O pico de velocidade na esteira (PV), economia de corrida (EC), limiar de lactato (LL) e acúmulo de lactato no sangue na velocidade de 15 km/h foram significativamente correlacionados com o início, meio e média das velocidades, durante o 10-km. Estes resultados demonstram que os corredores de alta performance (HP) e baixa (LP) adotam diferentes estratégias de ritmo durante uma corrida de 10 km. Além disso, parece que os principais determinantes da estratégia de ritmo escolhidos incluem PV, LL e EC.







PMID:20012450[PubMed - indexed for MEDLINE]

Calcaneus length determines running economy: implications for endurance running performance in modern humans and Neandertals.

J Hum Evol. 2011 Mar;60(3):299-308. Epub 2011 Jan 26.


Calcaneus length determines running economy: implications for endurance running performance in modern humans and Neandertals.

Raichlen DA, Armstrong H, Lieberman DE.

SourceSchool of Anthropology, University of Arizona, Tucson, AZ 85721, USA. raichlen@email.arizona.edu



Abstract

The endurance running (ER) hypothesis suggests that distance running played an important role in the evolution of the genus Homo. Most researchers have focused on ER performance in modern humans, or on reconstructing ER performance in Homo erectus, however, few studies have examined ER capabilities in other members of the genus Homo. Here, we examine skeletal correlates of ER performance in modern humans in order to evaluate the energetics of running in Neandertals and early Homo sapiens. Recent research suggests that running economy (the energy cost of running at a given speed) is strongly related to the length of the Achilles tendon moment arm. Shorter moment arms allow for greater storage and release of elastic strain energy, reducing energy costs. Here, we show that a skeletal correlate of Achilles tendon moment arm length, the length of the calcaneal tuber, does not correlate with walking economy, but correlates significantly with running economy and explains a high proportion of the variance (80%) in cost between individuals. Neandertals had relatively longer calcaneal tubers than modern humans, which would have increased their energy costs of running. Calcaneal tuber lengths in early H. sapiens do not significantly differ from those of extant modern humans, suggesting Neandertal ER economy was reduced relative to contemporaneous anatomically modern humans. Endurance running is generally thought to be beneficial for gaining access to meat in hot environments, where hominins could have used pursuit hunting to run prey taxa into hyperthermia. We hypothesize that ER performance may have been reduced in Neandertals because they lived in cold climates.

Resumo


A economia de corrida (EC) sugere que o desempenho de longa distância teve um papel importante na evolução do gênero Homo. A maioria dos pesquisadores se concentraram na EC nos humanos modernos, ou na reconstrução do desempenho em Homo erectus, no entanto, poucos estudos examinaram capacidades de EC em outros membros do gênero Homo. Aqui, nós examinamos a correlação entre desempenho e EC de humanos modernos, a fim de avaliar a capacidade energética de correr em neandertais e Homo sapiens. Pesquisas recentes sugerem que a economia de corrida (o custo de energia ou VO2 para correr a uma determinada velocidade) está fortemente relacionada com o comprimento do tendão calcâneo. O momento de braços de força mais curtos permitem maior armazenamento e liberação de energia por deformação elástica, reduzindo custos de energia. Aqui, nós mostramos que um esqueleto correlaciona-se com o comprimento do braço de força do tendão, o comprimento do tubérculo do calcâneo, não se correlaciona com a economia de movimento, mas se correlaciona significantemente com a economia de corrida e explica uma alta proporção da variância (80%) entre indivíduos. Neandertais tinha tubérculos relativamente mais longos do calcâneo que os humanos modernos, o que teria aumentado os seus custos de energia para correr. Comprimentos do tubérculo calcâneo em H. sapiens primitivos, não são significantemente diferentes dos humanos modernos, sugerindo que a economia de corrida dos Neandertais foi reduzida em relação ao humanos contemporâneos e anatomicamente modernos. Corridas de longas distâncias são geralmente pensadas por serem benéficas e para o acesso à carne em ambientes quentes onde os hominídeos poderiam ter usado para executar a caça e perseguição desenvolvendo hipertermia. Nossa hipótese é que o desempenho e a EC podem ter sido reduzidas em homens neandertais porque viviam em climas frios.





Copyright © 2011 Elsevier Ltd. All rights reserved.



PMID:21269660[PubMed - indexed for MEDLINE]

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Jovens e o treinamento de força: desvendando alguns mitos

A primeira preocupação que este tema sugere é a segurança do praticante. Todos sabemos que o sistema locomotor imaturo não está preparado para grandes esforços, e que o processo de desenvolvimento geral do organismo pode ser afetado por atividade física extenuante. No entanto, outro aspecto a ser analisado, é a relevância dos possíveis benefícios do treinamento de força para a criança.

No que diz respeito à segurança, a literatura apresenta alguns trabalhos muito bem conduzidos que estudaram a criança em treinamento com pesos (Falk et al., 1996; Rians et al., 1987; Risser, 1990; Servedio et al., 1985; Sewall et al. , 1990; Webb, 1990).



Os exercícios resistidos são os mais indicados para o treinamento de força, e dentre eles, os exercícios com pesos são os mais utilizados em todo o mundo. As barras e halteres constituem o equipamento convencional da ginástica com pesos e são os mais usados também para o treinamento de crianças, visto que os aparelhos mais elaborados são dimensionados para pessoas adultas. A conclusão geral da análise desses trabalhos é que os riscos para a saúde da criança são mínimos. Isto se deve a que os exercícios com pesos podem ser facilmente adaptados às necessidades de cada praticante.

A imagem de uma criança com a respiração bloqueada empurrando um peso em contração muscular isométrica não existe no treinamento bem orientado. Os exercícios são isotônicos, os movimentos respiratórios são relativamente livres, as amplitudes dos exercícios adequadas à flexibilidade do praticante, e as cargas adequadas à força do indivíduo de tal maneira que várias repetições sejam possiveis antes da fadiga muscular. Também não existem acelerações e desacelerações violentas dos movimentos, não existem torções dos diversos seguimentos do corpo em exercício, e a possibilidade de choques entre praticantes e quedas é inexistente.

Assim sendo, as sobrecargas sobre o aparelho locomotor são em nível de estímulo ao fortalecimento, com grande margem de segurança com relação aos níveis críticos para a integridade dos músculos, tendões, ligamentos, cartilagens e ossos. As hipóteses de que os exercícios com pesos poderiam esmagar ossos, lesar placas de crescimento e romper estruturas conjuntivas, provavelmente levantadas a partir de observações traumatológicas gerais, não foram confirmadas em trabalho científicos. As sobrecargas para o sistema cardiovascular nos exercícios resistidos de alta intensidade são inferiores às dos exercícios contínuos de média intesidade, não havendo razões para imaginar efeitos indesejáveis para crianças em treinamento com pesos.

Estudos com adolescentes hipertensos documentaram redução da pressão arterial de repouso. Um aspecto teoricamente favorável em relação ao treinamento com pesos para crianças é que os exercícios resistidos estão entre as atividades físicas que mais estimulam a liberação do hormônio do crescimento e hormônios gonadotrópicos pela hipófise. Como em todo tipo de exercício físico para crianças, é consensual a prudência com relação ao desgaste excessivo produzido por grandes volumes de treinamento, o que teóricamente poderia prejudicar o bom desenvolvimento do organismo.




Com relação aos possiveis benefícios do treinamento de força para crianças, algumas considerações são importantes. Os exercícios com pesos são de grande utilidade para adultos, com objetivos diversos, entre eles: o aumento da massa muscular e redução da gordura com consequente modelagem do corpo; o aprimoramento do desempenho físico visando competições esportivas; o combate ao sedentarismo e consequente promoção da saúde geral; lazer e convivência social; exercícios terapêuticos para várias afecções músculo-esqueléticas e reabilitação física. Poucos desses objetivos são comuns na infância.

Embora a capacidade contrátil dos músculos seja bastante estimulada em crianças pelo treinamento com pesos, a massa muscular aumenta muito pouco. As crianças não devem ser estimuladas para competições esportivas e o sedentarismo não é frequente nessa faixa etária. Terapia física e reabilitação são situações particulares, e poucas crianças demonstram interêsse em praticar exercícios com pesos por lazer.



Assim sendo, entendemos que embora o treinamento com pesos bem orientado seja bastante seguro para crianças, não existem razões para que o mesmo seja estimulado como conduta geral para a população infantil. No entanto, nos casos de terapia física, reabilitação e como opção de atividade física para crianças sedentárias e geralmente com personalidade introvertida, não há qualquer razão pela qual os exercícios com pesos não possam ser utilizados.



segunda-feira, 9 de maio de 2011

Aumento de massa óssea pelo treino de força muscular (colaboração do Prof. Felipe Pierkaz/UFES)

INTRODUÇÃO

O treinamento de força muscular (TFM) recebe um número crescente de adeptos por todo o mundo, que buscam a promoção da saúde, do condicionamento físico e a melhora do rendimento. Modelo de treinamento este que consiste, em linhas gerais, em exercícios contra resistência, ou seja, um treinamento que envolve a capacidade neuromuscular de superar uma resistência externa e interna (BOMPA, 2002).

Uma capacidade em que sua magnitude segundo Zatziorsky (1986) se dá em função de três fatores: coordenação intramuscular; coordenação intermuscular e a força com a qual o músculo reage a um impulso nervoso. O TFM bem orientado pode promover uma série de benefícios aos praticantes, entre eles o aumento da força, aumento da massa magra, diminuição da gordura corporal e melhoria no desempenho físico em atividades esportivas e na atividade diária, além de uma série de outras adaptações fisiológicas.  Os benefícios do TFM que enfocaremos nesta revisão são os relacionados ao sistema ósseo tanto de crianças, adolescentes, adultos e idosos de ambos os sexos.



A saúde óssea pode ser alterada dependendo da manipulação das variáveis do TFM, já que o osso é muito sensível a cargas mecânicas, tais como:  compressão, deformação e taxa de deformação (CHOW, 2000). Essas características podem ser alteradas de acordo com a intensidade, volume, tipo de exercício, pela taxa de sobrecarga e velocidade de execução do movimento.  A própria carga diária de força gravitacional é de extrema importância para a saúde óssea, haja vista que estudos em ambientes com microgravidade geralmente produzem perdas minerais ósseas de aproximadamente 4% nos ossos de sustentação, mas a magnitude dessa resposta depende do tempo de exposição à microgravidade (WILMORE e COSTILL, 2001). O objetivo do presente estudo é fazer uma revisão na literatura, elucidando aspectos que envolvem o TFM e as adaptações ao sistema ósseo.

FISIOLOGIA ÓSSEA

Os ossos são estruturas resistentes e com características funcionais de proteção aos órgãos; sustentação e conformação do corpo; local de armazenamento de íons Ca++; sistemas de alavancas motoras e local de produção de certas células do sangue (DANGELO e FATTINI ,1987).

Sua composição compreende uma matriz óssea com uma porção orgânica composta por fibras colágenas (hidroxiprolina), glicoproteínas e proteoglicanas; uma porção inorgânica composta principalmente por cristais de hidroxiapatita (fosfato de cálcio), além de carbonato de cálcio e íons (bicarbonato, magnésio, potássio, sódio e citrato em pequenas quantidades). E células como os osteócitos, que se situam em cavidades ou lacunas no interior da matriz; os osteoblastos que são produtores da parte orgânica da matriz; e os osteoclastos que reabsorvem o tecido ósseo participando dos processos de remodelação (JUNQUEIRA e CARNEIRO,1999).

MODELAÇÃO E REMODELAÇÃO

Os processos de modelação e remodelação dos ossos são dependentes principalmente das ações dos osteoblastos, osteoclastos, do controle da calcemia, regulação hormonal e das sobrecargas mecânicas. Os ossos estão em constante processo de reabsorção osteoclástica e também deposição osteoblástica, o que faz do osso um tecido dinâmico. O processo de deposição óssea se dá em duas etapas: os osteoblastos secretam substâncias protéicas na matriz que polimerizam formando fibras colágenas (principais constituintes dessa matriz) e em seguida ocorre a precipitação de sais de cálcio nos interstícios dessa matriz, para tal processo ter eficiência se requer a combinação de cálcio e fosfatos (fosfato de cálcio) e subseqüente mecanismo lento de conversão desse composto em hidroxiapatita, isso pode durar semanas a meses (GUYTON, 1988).    

Já o processo de reabsorção do osso se dá por meio da secreção de dois tipos de substâncias: enzimas proteolíticas, liberadas a partir dos lisossomos dos osteoclastos e vários ácidos, inclusive ácido láctico, liberados pelas mitocôndrias e vesículas secretoras. As enzimas digerem ou dissolvem a matriz orgânica do osso, e os ácidos causam a solução dos sais ósseos, liberando o produto para o sangue (GUYTON, 1997). Esse dinamismo do tecido ósseo garante a remodelação dos ossos num processo que perdura por toda a vida, garantindo a rigidez e resistência da estrutura óssea.

AÇÃO HORMONAL

A atividade das células ósseas pode ser regulada através da ação hormonal, hormônios estes que atuam de acordo com as concentrações do íon cálcio plasmático e que podem, dessa forma, influenciar os processos de remodelação. Os principais hormônios ligados ao controle da calcemia são os hormônios paratireóideo ou paratormônio (PTH) e a calcitonina. O PTH vai atuar em presença de elevadas concentrações de cálcio e agir de forma a acentuar a reabsorção renal deste íon, e indiretamente aumentar a absorção intestinal e mobilizar cálcio para os ossos. Esta ação pode ocorrer de duas maneiras: (1) um processo rápido (alguns minutos ou horas), no qual aumentará a permeabilidade da membrana osteocítica, lançando íons cálcio nos capilares sangüíneos; (2) um processo mais lento (dias a meses) que consiste na ativação osteoclástica, intensificando a atividade das células já existentes ou estimulando a formação de novas células (GUYTON, 1997; SILVERTHORN, 2003).



A ação prolongada do PTH pode acarretar em grande absorção óssea e conseqüente enfraquecimento dos mesmos. A calcitonina, ao contrário do PTH vai atuar em elevadas [Ca++], aumentando a excreção urinária de cálcio pelos rins e inibindo a atividade osteoclástica nos ossos.

Segundo Wilmore e Costill (2001) a calcitonina é importante na infância durante o crescimento ósseo e não demonstra muito efeito no controle da calcemia em adultos, embora esse hormônio pareça oferecer proteção contra a reabsorção excessiva do osso.

Os estrogênios também são hormônios que interferem na saúde óssea, principalmente nas mulheres e parece ter um papel de aumentar a absorção intestinal de cálcio, reduzir a excreção urinária deste íon, inibir a reabsorção e reduzir a taxa de renovação (turnover) óssea.

Com a menopausa e a redução nos níveis de estrogênio, as mulheres sofrem com acentuada perda de densidade mineral óssea (DMO), mesmo sendo esse hormônio produzido pelos músculos  esqueléticos, tecido adiposo e os tecidos conjuntivos, mas em pequenas quantidades. Já os homens de maior idade parecem produzir determinadas quantidades de estrogênios o que indicaria uma menor prevalência de perda da DMO (McARDLE, 2003).

CARGAS MECÂNICAS

As cargas mecânicas parecem ser o principal estímulo para o processo de osteogênese, ou seja, intensifica os processos de modelação e remodelação óssea. Segundo Fleck e Kraemer (2006) parece haver um limiar de cargas mecânicas para afetar a DMO e tal limiar pode ser alcançado com a manipulação das variáveis do TFM.

É importante frisar que as cargas mecânicas geram um estímulo osteogênico local especifico, e que tal estímulo gerará alterações no metabolismo ósseo. As evidências apontam para uma teoria em que o osso transforma o estresse mecânico em energia elétrica (como um cristal piezoelétrico).

Tais modificações elétricas estimulariam o acúmulo de cálcio pelos osteoblastos. Esse efeito osteogênico irá depender da magnitude da força aplicada e da freqüência de aplicação (McARDLE, 2003).

OSTEOPOROSE e EXERCÍCIOS RESISTIDOS: UM MÉTODO PREVENTIVO

A osteoporose é uma patologia que vem crescendo estatisticamente e alarmando os órgãos de saúde de todo o mundo, principalmente porque não está associada apenas ao fator genético, mas também ao estilo de vida, caracterizado pelo sedentarismo, alimentação inadequada, entre outros. Essa doença é caracterizada pela redução da massa óssea e deterioração da micro arquitetura do tecido ósseo que induz ao incremento de sua fragilidade e conseqüente aumento no risco de fratura. Tanto homens como mulheres podem sofrer com fraturas osteoporóticas, no entanto são as mulheres as mais suscetíveis a essa patologia.

Segundo a Fundação Internacional de Osteoporose, 40% das mulheres do mundo correm o risco de ter uma fratura em razão da doença, entre os homens, a porcentagem é de 13%. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a osteoporose o segundo maior problema de saúde pública para as mulheres, depois do câncer de mama.

Segundo o Colégio Americano de Medicina Esportiva (1995) os principais pontos de fraturas osteoporóticas são as vértebras e distal do rádio (antebraço) com ocorrência primária, enquanto as associadas ao quadril ocorrem posteriormente, e que a prevenção dessas fraturas é focalizada na preservação ou incremento do material e propriedades estruturais do osso, na qual fatores como nutrição (ingestão de cálcio), reposição hormonal (estrogênios) e sobrecargas mecânicas (atividades diárias, exercício físico, ação gravitacional) podem otimizar esse processo. O exercício físico, em especial o TFM, vem apresentando resultados satisfatórios na prevenção à osteoporose, já que este vem demonstrando ser um importante fator osteogênico.


Dois tipos principais de ossos são afetados pela osteoporose: (1) o osso trabecular (esponjoso) menos denso e com alta taxa de turnover, prevalecendo nas vértebras e extremidade distal do fêmur, sendo mais responsivos às concentrações hormonais; (2) o osso cortical com camada externa mais dura e densa, menor taxa de turnover e mais responsivos às cargas mecânicas, prevalecendo nas diáfises dos ossos longos (McARDLE, 2003).

Estudos sugerem que a redução óssea trabecular pode começar no inicio da terceira década enquanto o osso cortical pode incrementar ou permanecer constante até a quinta década de vida (BIRKENHAGER-FRENKEL et al., 1988; MARCUS et al.,1983; RIGGS et al.1981; MAZESS, 1982).

De um modo geral, os homens experimentam perdas ósseas de 0.4% ao ano a partir dos 50 anos de idade enquanto as mulheres começam a perder duas vezes esse valor a partir dos 35 anos (McARDLE, 2003).

Portanto, sugere-se que o pico de massa óssea pode ser alcançado até a terceira década de vida e que são esses valores máximos do conteúdo mineral que irão determinar o ritmo de perda óssea natural (osteopenia) e a redução do risco de uma osteoporose futura.

Antes de discutir o papel do exercício como fator osteogênico é preciso entender alguns princípios do treinamento que interferem nesse processo: (1) especificidade - o exercício promove um efeito osteogênico local; (2) sobrecarga - um aumento progressivo na intensidade do exercício promove a deposição contínua de osso; (3) valores iniciais - indivíduos com menor massa óssea total apresentam maior potencial de incremento; (4) individualidade biológica - existe um teto para o incremento da massa óssea; (5) reversibilidade - a interrupção da sobrecarga reverte o efeito osteogênico (McARDLE, 2003).

O conjunto de todos esses princípios nos leva a sugerir que o TFM é o mais eficiente para induzir o incremento do conteúdo mineral ósseo de todos os segmentos corporais.

Os ganhos de força decorrentes desse treinamento possibilitam a aplicação de sobrecargas crescentes, além de proporcionar estímulos a todos os segmentos corporais (os três princpis pontos de fraturas), ao contrário das atividades com transporte corporal (caminhada, natação e corrida, p.ex.) em que a sobrecarga se mantém constante ao longo do tempo e o estímulo frequente não mais afetará todas as estruturas ósseas.

Estudos demonstraram que a magnitude do estímulo é mais importante que a frequência do mesmo (CREIGHTON et al, 2001; BURROWS et al, 2003; CULLEN et al, 2001; NICHOLS et al, 2001).

Intensidades mais elevadas são necessárias para atingir os limiares de carga mecânica e com isso potencializar o efeito osteogênico local, como mencionado anteriormente, e corroboradas nos estudos de Tsuzuku, Ikegami e Yabe (1998) em que foi comparado a DMO de jovens basistas divididos em grupos de alta e baixa intensidade e o grupo controle, na qual os resultados obtidos no grupo que treinou a alta intensidade foram maiores que o de baixa intensidade e o controle.

Robinson et al. (2000) ainda demonstraram que homens e mulheres praticantes de atividades de força e potência possuíam massa óssea igual ou maior que atletas de endurance.

Pelo fato do pico de massa óssea ocorrer até a terceira década de vida, as evidências apontam para o START (início) do treinamento. Quanto antes o individuo entrar num programa de exercícios resistidos maior será a magnitude dos resultados, seja no incremento, na manutenção ou na redução progressiva de massa óssea.

Tanto jovens como idosos de ambos os sexos podem se beneficiar do TFM (RYAN et al., 2004).  Estudos demonstraram que o praticante pré–púbere pode estar em melhor posição para aumentar a densidade mineral óssea e a expansão periosteal do córtex ósseo por meio da atividade física  quando comparados a sujeitos que iniciaram tardiamente o treinamento (BASS, 2000; KHAN et al., 2000).

Um estudo apresentado por Conroy et al. (1993) demonstrou que levantadores de peso de elite (14 a 17 anos) apresentaram DMO significativamente maior no quadril e região do fêmur do que indivíduos do grupo controle.

O estudo de Khan et al. (2000) ainda evidencia que ex-atletas que aumentam a DMO na adolescência podem apresentar menor perda óssea nos anos seguintes. Homens e mulheres adultos também experimentam benefícios no incremento da DMO. Uma amostra de mulheres entre 30 e 45 anos completaram 12 meses de treinamento de força de membros inferiores envolvendo saltos com sobrecarga (10 a 13% da massa corporal), apresentou drástico aumento de força e potência junto com um aumento na DMO de 1 a 3% acima do grupo controle (WINTERS e SNOW, 2000).

Em uma análise do detentor da maior marca de agachamento do mundo (1 RM maior que 469 kg), Dickerman, Pertusi e Smith (2000) encontraram uma DMO de 1,86g/cm2 na coluna lombar, a maior DMO já registrada historicamente.

Em idosos, o TFM se torna ainda mais fundamental, não apenas pelo efeito direto da prevenção a osteoporose através do estimulo osteogênico, mas pelo fato deste tipo de treinamento otimizar os ganhos de força, além de facilitar a síntese e a retenção de proteínas e abrandar a perda “normal”(sarcopenia) e, até certo ponto, inevitável de massa e força musculares que ocorre com o envelhecimento.

Experimentos de Nelson e colaboradores (1994) treinando uma população de mulheres mais velhas, o treinamento de força de alta intensidade teve efeitos significativos sobre a saúde óssea com aumentos reportados na densidade do fêmur e da coluna lombar após um ano de treinamento, além de demonstrar melhoria na massa muscular, no equilibro e no nível total das atividades diárias, o que faz com que o índice de quedas e conseqüentes fraturas possam ser minimizados.

Apesar de todas essas evidências de significância positiva na relação TFM/DMO, muitos estudos realizados sobre esse foco não reportaram respostas significativas, o que pode ser explicado pelo fato de osso adaptar-se muito lentamente (6 a 12 meses) e também pela manipulação das variáveis do treinamento de força muscular para que se atinja o “limiar excitatório” para o efeito osteogênico.

Um bom exemplo de como essas variáveis podem influenciar é o estudo de Hawkins et al. (1999) que comparou o TF excêntrico e concêntrico com a mesma carga relativa, no qual o TF excêntrico demonstrou ser mais efetivo no aumento da DMO, devido sua maior produção de tensão e consequentemente de força muscular.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Portanto, embora muito ainda deva ser investigado sobre os reais efeitos do TFM nos processos osteogênicos, este tipo de treinamento fundamentado em bases científicas, parece constituir uma importante ferramenta para a prevenção da osteoporose, seja por ação direta (efeito osteogênico) ou por ação indireta. Otimizando os níveis de força e massa muscular com conseqüente melhora no nível de atividade física, equilíbrio, realização de atividades diárias, e com isso aumentando as taxas de sobrecargas mecânicas, fazendo com que as incidências de fraturas decorrentes de quedas possam ser minimizadas ou até mesmo extintas. Por ser um treinamento de baixo custo e de fácil controle, talvez este seja o caminho mais seguro e saudável para a prevenção de patologias que elevam os dados estatísticos epidemiológicos, como é o caso da osteoporose.